Simone Tebet confronta Derrite sobre feminicídios, crime organizado e resultados da gestão na Segurança Pública
O debate entre os candidatos ao Senado por São Paulo, realizado pela Band na noite de 9 de setembro, terminou marcado pelo confronto direto entre Simone Tebet (PSB) e Guilherme Derrite (PP).
Ex-secretário de Segurança Pública do estado, Derrite tentou defender sua atuação à frente da pasta e apresentou a redução dos homicídios como um dos principais resultados de sua gestão. Tebet, porém, atacou o ponto mais sensível do discurso: a distância entre os indicadores positivos de alguns crimes e o avanço de problemas graves que continuam atingindo a população.
A senadora citou o aumento dos feminicídios e questionou a resposta do governo diante das denúncias envolvendo a presença do crime organizado em estruturas públicas e policiais.
Feminicídio expôs fragilidade da política de segurança
Os dados oficiais e levantamentos de entidades especializadas mostram que o feminicídio se tornou um dos maiores desafios da segurança pública paulista.
Em 2025, São Paulo registrou o maior número de feminicídios da série histórica, segundo dados divulgados pela imprensa com base em estatísticas da Secretaria da Segurança Pública. No primeiro trimestre de 2026, também foram noticiados 86 casos, número superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.
Para Tebet, não basta apresentar queda em homicídios gerais enquanto mulheres continuam sendo assassinadas dentro de casa e muitas vítimas seguem sem proteção efetiva.
O confronto colocou Derrite diante de uma cobrança incômoda:
Como falar em sucesso na segurança pública quando o feminicídio bate recordes e a população continua com medo?
Crime organizado também entrou no centro do debate
Outro tema explosivo foi a infiltração do crime organizado em estruturas públicas. A Polícia Civil de São Paulo investiga suspeitas de atuação do PCC em prefeituras, com possível interesse em contratos e recursos públicos.
As investigações não autorizam afirmar que toda a Polícia Militar esteja dominada por facções, mas mostram que o crime organizado tenta ampliar sua influência e explorar brechas dentro do Estado.
É justamente por isso que a cobrança sobre os responsáveis pela segurança pública ganhou força no debate:
houve prevenção suficiente, investigação interna e transparência para impedir que organizações criminosas avançassem sobre as instituições?
Derrite rejeitou as críticas e defendeu sua gestão. Tebet, por sua vez, apresentou o tema como uma questão de responsabilidade política e cobrou explicações sobre as falhas de controle e fiscalização.
O duelo que pode influenciar a eleição
A troca de acusações ocorreu em uma disputa apertada. Pesquisa Quaest divulgada antes do debate mostrou Marina Silva e Derrite com 14%, enquanto Simone Tebet aparecia com 12%, em empate técnico dentro da margem de erro.
O embate, portanto, não foi apenas um confronto de ideias. Foi também uma disputa pelo eleitor que procura uma candidatura capaz de falar sobre segurança sem reduzir o problema a slogans, operações policiais ou discursos de endurecimento penal.
Simone Tebet saiu do debate com uma mensagem clara: pretende ocupar o espaço de oposição técnica à política de segurança defendida por Derrite e cobrar resultados também em feminicídio, proteção às mulheres e combate à infiltração criminosa.
A questão que ficará para o eleitor paulista é:
o estado precisa apenas de uma política mais dura ou de uma política de segurança mais eficiente, transparente e capaz de proteger também as mulheres?
O debate mostrou que a eleição para o Senado em São Paulo será decidida não apenas pela polarização nacional, mas também pela avaliação que o eleitor fará sobre os resultados concretos da segurança pública no estado.
Fontes: Band, Estadão, Metrópoles, G1, Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, Agência Brasil e Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

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